HISTÓRIA

A ÉTICA COMO BANDEIRA

O Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, com sede em Campinas/SP, foi fundado em 2003, por Douglas Linares Flinto e um grupo de amigos, como uma associação de direito privado, sem fins lucrativos. No mesmo ano, foi qualificado como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), pelo Ministério da Justiça.

“O objetivo principal do Instituto é fomentar a Ética tanto no meio empresarial como junto às crianças, adolescentes e universitários, porque os estudantes de hoje serão os colaboradores, executivos e proprietários das empresas de amanhã. É desta forma, contribuindo para a melhoria da qualidade ética das empresas e para a formação de líderes eticamente responsáveis, que potencializamos a perspectiva de um futuro mais ético e, assim, naturalmente Sustentável”, destaca.

A idéia de criar o Instituto Brasileira de Ética nos Negócios germinou após uma experiência vivida por Flinto, um executivo cuja carreira sempre esteve vinculada à empresas da área de distribuição de derivados do petróleo e etanol, cujo desfecho teria sido diferente se não fosse o abismo existente entre o discurso e as práticas empresarias, a dicotomia entre a reputação e o caráter corporativo, apesar da nítida e crescente melhoria, já muito comum no mundo dos negócios atual.

Confira o vídeo e o resumo desta história digna de estar registrada num livro ou num roteiro cinematográfico.


Minha história com a gigante italiana e uma das maiores companhias do planeta começou em 2001 quando eu era executivo da subsidiária brasileira da Eni SpA e assumi interinamente a principal gerência de vendas da Agip do Brasil. Lá recebi denúncias de irregularidades que envolviam conflitos de interesse, corrupção interna, fraudes e até a emissão de “notas fiscais frias”. Em respeito as determinações do Código de Ética da Eni reportei estes desvios de conduta e as desconformidades com as palavras e o espírito deste código que, como alardeia a própria companhia, é a linha mestra de todas as ações do cão de seis patas.

Nas semanas seguintes pouca coisa aconteceu e eu acabei sendo demitido. Após invocar a Comissão de Ética da Agip do Brasil, recebi uma resposta do presidente da operação brasileira dizendo que minha demissão aconteceu em razão de uma “reestruturação administrativa e organizacional” e não por “represália”, como eu afirmava.

Ficava evidente que o esquema milionário que eu havia denunciado possuía metástase por toda a empresa e, nos bastidores da Agip do Brasil, a alta cúpula, em conluio, comandava as ilegalidades e as ilicitudes praticadas na subsidiária brasileira da Eni.

Então, resolvi escrever ao Board e também aos principais acionistas da companhia, inclusive o principal deles, o governo italiano. A PwC, que na época era a empresa de auditoria contratada pela Eni, também recebeu uma cópia desta nova correspodência. Ora, é o Conselho de Administração a maior autoridade dentro e fora dos muros da companhia, a personificação da “corporate governance” e o “big boss” de todos os executivos, incluindo o CEO. Além disto, o Board é o responsável por zelar pelo Código de Ética e, acima de tudo, é o “Guardião da Ética”!

As demissões na Agip do Brasil continuaram até chegar na diretoria comercial. Alguns meses depois, a Eni anunciava ao mercado a venda de todos os ativos brasileiros para a estatal Petrobras, atualmente envolvida no maior escândalo de corrupção de que se tem notícia em todo o mundo.

No entanto, nenhum contato foi feito comigo e a gigante italiana nunca respondeu a qualquer um dos meus e-mails! Pelo contrário, depois de matar o “whistleblower" no Brasil, a empresa tenta fazer o mesmo na Itália!

Em 2010, a Eni decidiu ajuizar uma ação judicial - no Tribunal Civil de Roma - contra mim e contra o Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios, exigindo uma indenização de 30 milhões de Euros em razão dos danos causados por minha difamação e calúnia (?!?!).

Nesta ação, curiosamente, a Eni afirma que todos os fatos alegados por mim são falsos e que, de fato, a empresa fez uma investigação sigilosa no Brasil para verificar eventuais danos a ela própria. E eu, por ter um postura não colaborativa e reticente, resultou na “quebra de confiança” que culminou em minha demissão.

Ao invés da Eni aceitar seus erros, verificar suas falhas, melhorar os controles e honrar seu próprio Código de Ética, a empresa optou por se esconder atrás de uma “ação judicial frívola" na tentativa de me intimidar, me calar e deixar debaixo do tapete as mazelas de sua gestão.

Graças a Deus, no final de 2014, o juiz romano sentenciou que o processo da Eni era totalmente “sem fundamento". A empresa não aceitou a minha proposta de acordo, preferiu recorrer da sentença junto a Corte de Apelação de Roma.

Eu vítima da minha própria denúncia! A Eni, me colocando numa tal de “listra negra”, acabou destruindo minha carreira executiva. E mais do que isso! Todos estes fatos envolvendo a Eni foram responsáveis pela perda da minha aposentadoria!

Em março de 2016, minha história contra a gigante italiana do petróleo foi publicada em um "livro investigativo” escrito por dois jornalistas italianos (Andrea Greco e Giuseppe Oddo) e intitulado “Eni. O Estado Paralelo: A primeira investigação sobre a Eni". Em poucos meses, esta obra se tornou um best seller na Itália.

Em comemoração ao 15º aniversário da minha história de luta contra a Eni, completada em agosto de 2016, criei uma petição na "Change" para pressionar o Board da companhia o cumprir o seu próprio Código de Ética em relação ao meu caso.

Em janeiro de 2017, a convite da revista inglesa “Ethical Boardroom Magazine”, foi publicado meu artigo intitulado “Whistleblower: um herói, um vilão ou simplesmente um idiota?”.

Faço minhas as palavras da Malala Yousafzai: “Eu conto a minha história não porque ela é única, mas porque não é!” e também espero que minha história sirva de exemplo, de motivação e de inspiração para outros “whistleblowers” ao redor do mundo que estão sendo silenciados, tendo suas carreiras profissionais destruídas e suas reputações jogadas na lata do lixo, por empresas que não respeitam seus Códigos de Ética, por funcionários e executivos que roubam cofres corporativos e pelo Board que finge que nada acontece.

Apesar de tudo, eu continuarei, até meu último suspiro, com minha saga pessoal, para resgatar e restaurar meu nome, minha honra, minha imagem e minha reputação injustamente depreciada pelo cão de seis patas.

Se eu me arrependo de alguma coisa? Pelo contrário, eu faria tudo outra vez… Porque, para mim, fazer a coisa certa, agir com ética e integridade, faz a nossa vida valer a pena!

Minha luta continua! " border="0">


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